INTRODUÇÃO

A cirurgia robótica foi proposta para melhorar resultados operatórios e, após aprovação dessa plataforma em 2000, a abordagem foi adotada em diversos centros. Em Urologia, seu desfecho favorável na prostatectomia radical propiciou o advento de estudos sobre a aplicabilidade do método no tratamento de outros órgãos, como a bexiga. A cistectomia radical assistida por robô (CR) representa uma alternativa minimamente invasiva à cirurgia aberta (CA), além de apresentar vantagens sobre a intervenção laparoscópica tradicional, incluindo visão ampla e pulsos mecânicos, que permitem mais destreza e melhor manuseio de tecidos e fios que a mão humana. Todavia, as preocupações sobre a CR incluem falta de feedback tátil (importante para a ressecção completa da doença localmente avançada) e possível recorrência do câncer em locais incomuns, além de apresentar uma curva de aprendizado significativa e um custo elevado. Sabe-se também que a inserção da técnica à prática médica tem sido vagarosa devido à falta de dados comparativos sobre complicações e resultados a longo prazo.

OBJETIVOS

O presente trabalho visa analisar a produção científica atual e avaliar dados comparativos de eficácia das abordagens cirúrgicas aberta e robótica para tratamento de câncer de bexiga invasivo não metastático.

MATERIAL/MÉTODOS

Foi realizada uma pesquisa de revisão na literatura, buscando artigos científicos no idioma inglês comparando as abordagens robótica e aberta de cistectomia radical, nas plataformas Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed, por meio dos descritores DeCS/MeSH robotic e cystectomy, utilizando operador de busca and e filtro para publicações dos últimos 5 anos. Foram incluídos ensaios, revisões sistemáticas e metanálises de estudos produzidos em grandes centros, comparando as duas abordagens cirúrgicas, com textos integralmente disponíveis. Foram excluídos ensaios que não apresentavam comparação das técnicas em todas as etapas do perioperatório, aqueles que não descreviam a técnica usada de reconstrução do trânsito urinário e artigos com possíveis conflitos de interesse. Após análise minuciosa de conteúdo, nove artigos foram contemplados neste trabalho por atenderem ao tema.

RESULTADOS

A revisão permitiu a obtenção de resultados por comparação entre o período perioperatório das abordagens de CA e CR. Na análise, foi evidente uma menor perda sanguínea estimada, menor necessidade de hemotransfusão intraoperatória e menor tempo de internação em CR, quando comparada ao método aberto. Em contrapartida, a duração do procedimento robótico alcançou uma média de tempo consideravelmente maior que em CA.Um ponto a ser considerado é a forma extracorpórea com que reconstruíram o trânsito urinário com neobexiga, em CR: questiona-se se tal intervenção não sujeita o paciente às mesmas complicações inerentes à uma plena CA convencional. Já quanto ao quesito “dois anos livres da progressão da doença”, foram encontradas porcentagens semelhantes entre as duas formas de abordagem.

CONCLUSÃO

Dado o exposto, torna-se inviável declarar o método robótico como o futuro definitivo das cistectomias radicais. Novos estudos multicêntricos randomizados são necessários para avaliar a eficácia da técnica robótica e suas principais vantagens sobre a técnica aberta associada à linfadenectomia pélvica e reconstrução com desvio urinário, que, por longo tempo, tem sido padrão ouro para tratamento de câncer de bexiga invasivo não metastático.

REFERÊNCIAS
1. D. Smith, Norm & P. Castle, Erik & L. Gonzalgo, Mark &Svatek, Robert & Z. Weizer, Alon& Montgomery, Jeffrey &Raj, Sridhar& E. Woods, Michael & K. Tollefson, Matthew & R. Konety, Badrinath&Shabsigh, Ahmad &Krupski, Tracey&Barocas, Daniel & Dash, Atreya&Quek, Marcus & S. Kibel, Adam &Parekh, Dipen. (2014). The RAZOR Trial – Randomized Open Versus RoboticCystectomy -Study Design andTrial Update. BJU International. 115. 10.1111/bju.12699;
2. Parekh, Dipen& M Reis, Isildinha & P Castle, Erik & L Gonzalgo, Mark & E Woods, Michael &Svatek, Robert & Z Weizer, Alon& R Konety, Badrinath&Tollefson, Mathew&Krupski, Tracey& D Smith, Norm &Shabsigh, Ahmad &Barocas, Daniel &Quek, Marcus & Dash, Atreya& S Kibel, Adam &Shemanski, Lynn &Raj, Sridhar& Scott Montgomery, Jeffrey & Thompson III, Ian. (2018). Robot-assisted radical cystectomy versus open radical cystectomy in patientswithbladdercancer (RAZOR): an open-label, randomised, phase 3, non-inferioritytrial. The Lancet. 391. 2525-2536. 10.1016;
3. Collins, Justin &Wiklund, Np. (2013). Totallyintracorporealrobot-assisted radical cystectomy: Optimizing total outcomes. BJU international. 114. 10.1111/bju.12558;
4. Bochner, Bernard &Dalbagni, Guido & H. Marzouk, Karim& D. Sjoberg, Daniel & Lee, Justin & M. Donat, Sheri& Coleman, Jonathan &Vickers, Andrew & W. Herr, Harry & P. Laudone, Vincent. (2018). RandomizedTrialComparing Open Radical CystectomyandRobot-assistedLaparoscopic Radical Cystectomy: OncologicOutcomes. EuropeanUrology. 74. 10.1016/j.eururo.2018.04.030;
5. Xia, Leilei& Wang, Xianjin&Xu, Tianyuan& Zhang, Xiaohua& Zhu, Zhaowei&Qin, Liang& Zhang, Xiang&Fang, Chen & Zhang, Minguang&Zhong, Shan&Shen, Zhoujun. (2015). Robotic versus Open Radical Cystectomy: AnUpdatedSystematicReviewand Meta-Analysis. PLOS ONE. 10. e0121032. 10.1371/journal.pone.0121032;
6. Miller, Catherine &Campain, Nicholas &Dbeis, Rachel &Daugherty, Mark &Batchelor, Nicholas &Waine, Elizabeth & S McGrath, John. (2016). Introductionofrobotically-assisted radical cystectomywithinanestablishedenhancedrecoveryprogramme. BJU International. 120. 10.1111/bju.13702;
7. Lenfant, Louis &Verhoest, Grégory& Campi, Riccardo & Parra, Jerome &Graffeille, Vivien&Masson-Lecomte, Alexandra &Vordos, Dimitri& de La Taille, Alexandre &Roumiguie, Mathieu&Lesourd, Marine &Taksin, Lionel &Misraï, Vincent & Grande, Pietro &Vaessen, Christophe &Ploussard, Guillaume& Granger, Benjamin &Roupret, Morgan. (2018). Perioperativeoutcomesandcomplicationsofintracorporealvsextracorporealurinarydiversionafterrobot-assisted radical cystectomy for bladdercancer: a real-life, multi-institutionalfrenchstudy. World JournalofUrology. 36. 10.1007/s00345-018-2313-8;
8. Lauridsen, Susanne &Tonnesen, Hanne& Jensen, Bente&Neuner, Bruno &Thind, Peter &Thomsen, Thordis. (2017). Complicationsandhealth-relatedqualityoflifeafterrobot-assisted versus open radical cystectomy: A systematicreviewand meta-analysisof four RCTs. SystematicReviews. 6. 10.1186/s13643-017-0547-y;
9. Cusano, Antonio&Haddock, Peter & Jackson, Max & Staff, Ilene& Wagner, Joseph &Meraney, Anoop. (2016). A comparisonofpreliminaryoncologicoutcomeandpostoperativecomplicationsbetweenpatientsundergoingeither open orrobotic radical cystectomy. Internationalbraz j urol :officialjournaloftheBrazilianSocietyofUrology. 42. 663-670. 10.1590/S1677-5538.IBJU.2015.0393.