Estamos esperando muito a operar?

INTRODUÇÃO:

Fimose congênita ou fisiológica é a aderência prepucial à glande, presente ao nascimento, que costuma desaparecerao longo do crescimento da criança, até os cinco anos de idade. Estatisticamente, ao nascimento, apenas 4% dos meninos apresentam prepúcio retrátil, após um ano, esse índice já é de 50%. Aos três anos até 90% expõem a glande1. A fimose patológica se caracteriza por um prepúcio não retrátil, com ou sem aderência ou anel fibroso na extremidade do mesmo2.A retração ausente ou incompleta do prepúcio pode predispor a infecção do trato urinário3,4 sendo que a ausência de circuncisão aumentou em 20 vezes o risco de ITU5. Existe uma probabilidade 4 vezes maior de contrair vírus HIV e 2,5 vezes maior de desenvolver úlceras genitais entre portadores de fimose, além de aumento do risco de HPV e câncer de colo uterino, bem como de Carcinoma de pênis6.

O tratamento da fimose depende de fatores, como a idade da criança, sintomas associados ou a presença de fimose fisiológica ou patológica. Trata-se antes de cinco anos apenas aqueles que apresentarem fimose patológica e, uma vez indicado o tratamento, recomenda-se iniciá-lo com o uso de corticoides tópicos, reservando a cirurgia para casos graves ou refratários7.O tratamento clínico se baseia no uso de medicações tópicas, principalmente cremes de corticoides e na realização de manobras de estiramento prepucial. Costuma-se prescrever ciclos de um mês de tratamento, interrompendo-o quando houver a resolução do quadro ou quando atingir três ciclos completos8.

Tratamento Cirúrgico: podendo ser procedimentos com preservação de prepúcio, como dorsotomia9, postectomia: com taxa de complicações em neonatos varia entre 0,2% e 3%10 e outros dispositivos como Plastibell,que ainda mantem-se controverso11.

MÉTODOS:

Revisão bibliográfica usando fimose, complicações, postectomia como descritores, sendo utilizado fontes como Scielo, Pubmed, Bireme. Descrição minuciosa do caso, com fotografias do momento da admissão, evolução e resultado pós operatório.

RELATO DO CASO:

Paciente de 14 anos, com ausência de exposição da glande, em tratamento clinico com corticoide tópico há 2 meses, evoluiu com balanopostite complicada com retenção urinaria aguda e sepse. Paciente foi admitido com grande edema prepucial, hiperemia e calor local, necrose prepucial necessitando de cistostomia por punção e antibioticoterapia parenteral por 07 dias, quando após resolução do quadro sistêmico foi submetido a postectomia.

DISCUSSÃO:

A discussão sobre o melhor momento para se indicar a postectomia continua. Apesar do alto grau de resolução espontânea, apos tratamento clinico ou por Plastibell, a fimose pode ter consequências clinicas relevantes como parafimose, ITU e balanopostite de repetição. Deve haver seguimento clinico estreito em pacientes onde optou-se pelo tratamento farmacológico no intuito de se prevenir consequências potencialmente catastróficas como a do caso descrito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. McGregor TB, Pike JG, Leonard MP. Pathologic and physiologic phymosis: Approach to the phymotic foreskin. Can Fam Physician 53(3):445-8, 2007.
  2. Jorgensen, E., Svensson, A. The treatment of phymosis in boys with a potent topical steroid (clobetasolproprionate 0.05%) cream. ActaDermato-Verereologica 73(1): 55-56, 1993.
  3. Bonacorsi S, Lefevre S, Clermont O. Escherichia coli strains causing urinary tract infection in uncircumcised infants resemble urosepsis-like adult strains. J Urol 173:195-197, 2005.
  4. Wiswell TE, Smith FR, Bass JW. Decreased incidence of urinary tract infections in circumcised male infants. Pediatrics 75:901-903, 1985.
    Tsen HF, Morgenstern H, Mack T, Peters RK. Risk factor for penile cancer: Results of a population-based case-control study in Los Angeles County (United States). Cancer Causes Control 12:267-277, 2001.
  5. Bréaud J, Guys JM. Phymosis: medical treatment or circumcision? Arch Pediatr 12(9):1424-32, 2005.
  6. Elmore, J., Baker, L., Snodgrass, W. Topical steroid therapy as an alternative to circumcision for phymosis in boys younger than 3 years. J Urol 168(4):1746-1747, 2002
  7. Steadman B, Ellsworth P. To circ or not to circ: indications, risks, and alternatives to circumcision in the pediatric population with phymosis. UrolNurs. 26(3):181-94, 2006.
  8. KORKES, Fernando; SILVA II, JarquesLucio; POMPEO, Antonio Carlos Lima. Circuncisãopormotivosmédicos no sistemapúblico de saúde do Brasil: epidemiologia e tendências. Einstein (São Paulo), São Paulo , v. 10, n. 3, Sept. 2012 .
  9. SANTOS, Juliana Pascon dos. Postectomiacomdispositivoplástico versus postectomiaconvencionalparacircuncisãoemcrianças: revisãosistemática e metanálise. 2014. 67 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Medicina de Botucatu, 2014.