Últimas chuvas de março fechando o verão e o interior de MG é surpreendido com uma avalanche de informações, as mais complexas possíveis – o mundo vive uma pandemia causada por um vírus oriundo da China que causa um verdadeiro tsunami envolvendo a saúde pública mundial e a economia de muitos países. A vida que corria normalmente no nosso meio, já com as conhecidas deficiências no tocante a assistência à saúde, sofreu uma ruptura súbita causando uma crescente piora no atendimento. As pessoas ficaram recolhidas em suas residência e sem procurar a assistência que necessitavam.

O poder público municipal, assumiu o controle de grande parte das atividades do dia a dia. A assistência médico-hospitalar ficou direcionada aos possíveis casos de Covid-19. Recomendou-se que médicos de grupo de risco ficassem em casa e foram suspensas as cirurgias eletivas, permanecendo as cirurgia oncológicas e de urgência. Também foram suspensas as reuniões, cultos religiosos e assembleias, e o mantra foi: #fique em casa! Sair de casa somente para resolver somente o extremamente necessário, usando máscaras e mantendo distanciamento de dois metros entre as pessoas. Pais e filhos, cada um em sua respectiva casa. Quando ocorria um deslize de alguém visitar outrem, imperava um peso na consciência de estar levando doença para a família, um verdadeiro terror passou a imperar nas relações humanas onde antes era afeto e amor. O chamado isolamento horizontal! Criou-se um comitê da crise em cada grande hospital, definindo a maioria das atividades médicas, as quais sofriam frequentes ajustes, por vezes diários. A Secretária Municipal de Saúde e o Prefeito definiam todos os movimentos dos cidadãos, fechando muitos segmentos do comércio, abertos apenas os com bens essenciais à vida. #fiquem em casa! Muitas informações desencontradas. Artigos publicados em revistas cientificas internacionais indexadas ou em processo de publicação eram analisados pelo corpo clínico vinculados à academia, e o resultado era disponibilizado via web aos pares. A última comunicação da Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros sobre o Coronavírus, em 10/06/2020, anunciou a ocorrência de 118 casos confirmados, sendo 58 curados e três óbitos.

No início da pandemia os consultórios tiveram seu funcionamento restrito aos pacientes mais necessitados, pacientes oncológicos, controle de pós-operatórios e aqueles com sintomas de dor física ou espiritual, urgências em saúde. Progredindo no tempo sem definição consistente de condutas e agravando a angústia do isolamento social, #fique em casa! Até quando ficaremos limitados às nossas casas, sem a nossa liberdade de ir e vir e sem trabalho? Na porta do hospital os seguranças aferem a temperatura de todos, mas não foi noticiada a detecção de pessoa com hipertermia e por isso, tivesse sido barrado. O uso de máscara sempre foi exigido! E as redes sociais, fonte inesgotável de informações com incessantes análises de dados e sem adequada orientação. Verdades? E ao final culminava com muitas dúvidas e muita insegurança. Após 30 dias de convulsão social completa, iniciou a ansiedade de permanecer em casa. A grande imprensa só divulgando resultados de óbito por Covid-19, e as outras causas de óbito eram ignoradas. Consultórios continuavam fechados, sem trabalho hospitalar e Pronto Atendimento vazio. A fim de amenizar o stress, aumentou o acesso à Netflix, mais horas de leitura e outras diversas atividades domésticas para ocuparem o tempo. No último mês as Webinars ocuparam o início das noites, muitas no mesmo horário. Qual assistir? E cresceu ainda mais a angústia e a ansiedade de assistir uma e não as outras.

Após dois meses de paralização, paulatinamente os pacientes retornaram desejando ser tratados, mas sem o apoio familiar, uma vez que esses não queriam transitar no ambiente hospitalar por medo da pandemia. Vale lembrar que ainda não há critérios definidos para a realização do teste Covid-19, nos pacientes com cirurgias programadas.

Paira outra dúvida sobre a necessidade do cirurgião sair da sala no momento da intubação endotraqueal do paciente. São muitas dúvidas!

É fato, temos vivido uma insegurança muito grande por parte da ciência médica, além da face político-partidária imperando sobre todos, sob justificativa de combater a pandemia com compras sem licitações e valores exorbitantes. Será uma farsa? Quando irá achatar a curva epidêmica, julho, agosto, setembro? Os cidadãos clamam para a vida voltar à normalidade.

E assim vamos levando a vida, o viver passou a ser mais perigoso no nosso meio, lembrando Guimarães Rosa.