O gerenciamento de pacientes com casos graves de COVID-19 se tornou um desafio em todo o mundo. Dados recentes mostram que o COVID-19 levou à morte 2,3% dos pacientes, tornando-o 23 vezes mais mortal do que uma gripe típica.

As medidas de controle nos trazem resultados insuficientes e o vírus se espalha rapidamente entre a nossa população, repetindo a onda mundial. Em março de 2020 havia cerca de 1 milhão de casos em 59 países, com perto de 50.000 mortes (cerca de 5%) atribuídas à infecção. Hoje, os continentes somam mais de 12.000.000 de casos e mais de 550.000 mortes relacionadas ao Covid – 19. Os pacientes idosos e aqueles com múltiplas comorbidades são as principais vitimas porém, muitos jovens e indivíduos previamente saudáveis também estão morrendo.

Sabemos que a equipe da UTI é pessoalmente impactada por essas circunstâncias desafiadoras. Qualquer profissional pode estar doente. Podem também estar sofrendo descompensação psicológica, devido ao trauma que está acontecendo ao seu redor. Alguns podem ter familiares infectados com o vírus. Tudo isso significa que o número de pessoas disponíveis para trabalhar na UTI pode ser menor que o normal, aumentando os desafios. Aqueles que estão tratando pacientes devem se proteger com os EPIs apropriados, o que torna o trabalho extenuante. Embora absolutamente necessárias, essas precauções adicionais tornam as pequenas coisas cotidianas mais difícieis e laboriosas do que estamos acostumados a fazer. Vivemos um verdadeiro desafio. Precisamos conversar sobre isso com nossas equipes de UTI diariamente, para que estejamos preparados para cada paciente que recebemos.

Os respiradores de cada UTI devem estar prontos para dar apoio a todos os setores do hospital, como o Bloco Cirurgico, onde a redução das atividades conflita com procedimentos que não podem parar. Temos que ser capazes de manter todas as medidas de proteção em vigor e assistir os pacientes críticos.

Nós não sabemos o que vai acontecer.

A preocupação que todos nós temos é que esse pode ser o novo normal.