ESCREVER UM ARTIGO CIENTÍFICO É UMA ARTE?

……escrever é uma arte, difundir e compartilhar conheci- mentos possibilita subsídios reais para a sobrevivência dos profissionais….

Todos os dias nos deparamos, com um grande numero de solicitações de artigos para uma infinidade de revistas médicas e Jornais em nossa caixa de e-mail; tarefa extremamente difícil desempenhada por muitos editores, em busca desta escassa fonte de disseminação de nossos conhecimentos.

Escrever um artigo científico não é muito diferente de produzir uma obra de arte1. Qualquer profissional da área urológica precisa de inspiração, idéias, conhecimento de técnicas, um conjunto de ferramentas e um meio de divulgação de suas opiniões. Entretanto, escrever um artigo técnico científico nem sempre é tarefa fácil.

Nosso propósito é apresentar motivos e instrumentos que possam auxiliar os profissionais de saúde para o exercício sadio da medicina urológica, principalmente dos membros da Sociedade Brasileira de Urologia a mostrarem o melhor de suas áreas de atuação e experiências em forma de artigos, painéis ou opiniões que aqueçam e fortaleçam os conheci- mentos de uma Sociedade organizada e forte. Ao longo de nossa vivencia urológica, enfrentando desafios e buscando trazer o melhor cenário do diagnostico e condução das moléstias urológicas, acima de tudo, procuramos nos colocar em posição de aprendizagem constante; tornando o fardo do dia -a- dia plenamente prazeroso e muito dinâmico, cujo fato, a viabilização de novas revistas e jornais dentro de nosso escopo abrem oportunidades de exercitarmos esta nossa arte de escrever, o que estamos construindo em nossa continua formação. As experiências adquiridas positivas ou negativas, nos indicaram que temos um longo caminho a seguir, e nos desafia diariamente em busca de novos horizontes. Leitores, sedentos de conhecimento nas varias áreas da urologia, enfrentam a escassez de produtores e divulgadores de conhecimentos em forma de Artigos ou Opiniões. Este caminho, já nos permitiu constatar um quadro pedagógico-cientifico longe daqueles ideais, no entanto, infelizmente, temos pouco a cobrar de quem não teve treinamento ideal nas Escolas de Médicas e Serviços de residência. E por acreditar na necessidade de criação de um novo ciclo de renovação e atitudes na formação dos alunos, residentes e profissionais da urologia, convocamos todos a despirem- se de preconceitos negativistas e imprimirem sua necessidade de expressar sua arte inata ou aprendida ao longo de vivencia na urologia, ao escrever que seja em poucas linhas , mas o primeiro passo em busca de sua genialidade atenuada e que necessita ser compartilhada com seus pares. Assim, estimulando a todos e despertando a possibilidade de escreverem e colocarem no papel opiniões e idéias, tornando-se visíveis cientificamente e criando seu (ID) Scientific Identification.

Como começar?

Muitos profissionais experientes possuem uma grande quantidade de material em seus arquivos esperando para serem ensinados, divulgados e enfim publicados. Tudo o que eles necessitam é de alguém especializado e entusiasmado para dividir o trabalho de organizar, escrever e fazer com que o conhecimento torne um artigo. Os bancos das escolas médicas estão repletos de jovens graduandos sedentos por informações e conhecimento direcionado por especialistas.

A colaboração de um profissional experiente é necessária aos estudantes e residentes em formação que estão iniciando o gosto e intenção do aprendizado. Este éum brilhante exercício do profissional de nossa sociedade que também despertariam para o ensinar e posteriormente materializar o sonho de termos futuros grandes colaboradores e escritores. A fase inicial de redação de um artigo é, por vezes, difícil para muitos autores. Nesta fase o autor tem a oportunidade de relacionar seu trabalho, de forma mais sistemática, aos estudos disponíveis na literatura2. Todo artigo, durante sua redação, passa por algumas fases de amadurecimento. É difícil especificar estas fases, pois acontecem simultaneamente. Seqüencialmente deve-se:

1. Colocar as idéias no papel;

2. Ordenar as idéias (reagrupamento dos parágrafos, coorde- nando os assuntos em seqüência lógica);

3. Dar o acabamento ao texto (correção gramatical, da concor- dância e de estilo). É interessante reler o artigo para efetuar as correções em cada fase para facilitar a visualização dos pontos a serem corrigidos2.

A clareza e objetividade devem estar sempre na mente de quem escreve, pois este é um dos pontos que serão julgados pelos revisores. Um texto longo não significa que será mais bem compreendido pelo leitor. Nestes casos, dados e idéias expostos em excesso podem tornar a leitura mais árdua.

Schopenhauer já dizia que “Escrever e ler são condições que cansam”. Cansa porque envolve esforço, tempo e concen- tração. Hoje, com todas as facilidades da vida moderna, muitos lêem ou escrevem somente quando obrigados: na escola, na faculdade ou para se manterem atualizados profissionalmente. Segundo Schopenhauer, “Poucos lêem por prazer, menos ainda os que escrevem por prazer”3. Arthur Schopenhauer foi um filósofo que influenciou grandes nomes da atualidade,

como Machado de Assis, Nietzsche, Freud, Wagner, Tolstói, Sartre e Thomas Mann, entre outros. É considerado até hoje um dos principais pensadores de toda a história alemã. O livro A arte de escrever é uma coletânea que faz nos remeter a um pensar na escrita, estilo, leitura e critica ao exercitarmos a confecção de um artigo3.

Por conta disso, registramos nosso profundo desejo de que nossos leitores ao adquirirem motivação trazidos neste artigo, possa também contribuir e compartilhar os ensinamentos criando uma sociedade Brasileira de Urologia mais junta e cumpridora de sua missão de informar e formar grandes profissionais.

“A procura da verdade é difícil e é fácil, já que ninguém poderá desvendá-la por completo ou ignorá-la inteiramente. Contudo, cada um de nós poderá acrescentar um pouco do nosso conhecimento sobre a natureza e, disto, uma certa grandeza emergirá.”

Aristóteles, 350 AC

REFERENCIAS:

1. Meadows A, J. . A Comunicação científica. Editora Briquet de Lemos 1999(1st. ed).
2. Nahas F, X, , Ferreira L, M, , Sabino N, M, , Garcia E, B. Elaboração de trabalho científico. Rev Bras Cir Plast 2004;19:11-28.
3. Schopenhauer A. A Arte de Escrever. L&PM Editores 2007;Coleção L&PM Pocket no 479(2a):169.