INTRODUÇÃO

A cirurgia minimamente invasiva ganhou espaço desde a primeira colecistectomia videolaparoscópica, realizada na década de 80. Atualmente, a cirurgia robótica se apresenta como o que há de mais novo e promissor em termos de técnica minimamente invasiva. No entanto, na urologia, pacientes submetidos a cirurgias robóticas durante o período de aprendizagem do cirurgião ainda apresentam risco aumentado de piores desfechos. Programas específicos de aprendizagem e treinamento de robótica têm sido propostos em diversas áreas, em especial pela Associação Européia de Urologia (EAU). Todavia, por ser uma técnica nova, em consolidação, o seu treinamento é um tema ainda pouco conhecido e de grande interesse para a comunidade médica, que merece, portanto, ser revisto e divulgado.

OBJETIVOS

Apresentar o panorama atual e as discussões em relação à capacitação para cirurgias robóticas na urologia.

MATERIAIS E MÉTODOS

Revisão da literatura de artigos publicados em português e inglês entre 2010 e 2019 por meio de pesquisa nas bases de dados PubMed, SCielo e LILACS.

RESULTADOS

Atualmente, a certificação para se realizar cirurgia robótica é um processo de cinco etapas, coordenado pela empresa detentora das patentes. A primeira etapa é a certificação online, realizada no site da empresa. A segunda é um curso prático de 20 horas no simulador Mimic™. Na terceira etapa é feita uma simulação In Service, que consiste em uma simulação da prática cirúrgica com o console Da Vinci™, em maquete mecânica, chamada “caixa preta”, realizada em um serviço que conte com a plataforma Da Vinci™, sendo realizada uma prova prática ao fim do processo. A quarta etapa é avaliação prática final, em que são realizados testes variados em porcos, na caixa preta e no simulador Mimic™. Ao fim desse processo, o cirurgião recebe seu certificado, mas ainda não pode realizar procedimentos com total autonomia. Suas primeiras cirurgias são acompanhadas de um proctor, médico capacitado que o acompanhará até o momento em que julgar que o profissional está apto para atuar desacompanhado, liberando o trainee. Finalizadas estas cinco etapas o cirurgião tem capacidade para realizar cirurgias robóticas sem supervisão.

Contudo, é desejo de entidades importantes, tais como a Associação Europeia de Urologia – Seção de Urologia Robótica (EAU-ERUS), de que haja ampliação de treinamentos validados na urologia e com garantia de melhores desfechos para o cirurgião recém-habilitado. Dentre as propostas está a inclusão de habilidades como comunicação efetiva, trabalho em equipe, liderança, tomada de decisões e manejo do estresse. Além disso, com a entrada de novas certificadoras, será necessária uma padronização do ensino e a realização de estudos para a validação das práticas envolvidas no treinamento.

CONCLUSÕES

O sistema atual de capacitação tende a passar por grandes mudanças em um futuro próximo, com a chegada de novos consoles e certificadoras. O treinamento deverá ser ampliado, com capacitação em habilidades não cirúrgicas, além da resolução de alguns entraves para a capacitação de mais cirurgiões, como a disponibilidade reduzida de vagas. Nesse sentido, se faz necessária uma padronização do ensino, bem como a condução de estudos para a validação dos métodos de capacitação.

Referências
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