INTRODUÇÃO

Priapismo intermitente (PI) é uma forma incomum da variante isquêmica, com maior prevalência em pacientes com doença falciforme. Diferentes abordagens terapêuticas têm sido propostas com a finalidade de prevenir a recorrência dos episódios, entretanto não há consenso em relação ao melhor tratamento. O objetivo deste trabalho é determinar a efetividade da finasterida na prevenção do PI e realizar uma revisão sistemática da literatura sobre o manejo de pacientes com essa enfermidade.

MÉTODOS

Foram analisados, retrospectivamente, os prontuários de todos os pacientes com priapismo atendidos pelo serviço de urologia do Hospital das Clínicas da UFMG entre fevereiro de 2017 e março de 2019. Identificou-se dois pacientes com PI, um adolescente e um adulto, ambos tratados com dose inicial diária de 5mg de finasterida que foi ajustada conforme resposta clínica. Em março de 2019, realizou-se revisão sistemática da literatura na base de dados MEDLINE e SCIELO, utilizando o método PRISMA. A estratégia de busca foi a combinação dos termos MESH “priapism” e “finasterid” com os textos livres “recurrent” e “stuttering”; e combinação dos termos “priapismo” e “finasterida” do Decs-BIREME com os textos livres “recorrente” e “intermitente”. Além disso, foi realizada uma busca ativa nas listas de referência de todos artigos encontrados.

RESULTADOS

O paciente adolescente apresentou boa resposta clínica ao tratamento, permitindo ajuste de dose da finasterida de 5 mg para 2,5mg e 1mg, com remissão completa do PI. O paciente adulto, mesmo após o uso de hidroxiureia, pseudoefedrina, sildenafilae finasterida, manteve recorrência dos episódios de priapismo, sendo optado por implante de prótese peniana. Na revisão sistemática da literatura foram encontrados sete artigos, sendo um ensaio clínico randomizado que comparou uso de sildenafila com placebo e uma meta-análise que favorece o implante precoce de prótese peniana no caso de pacientes refratários à abordagem clínica. Os dois estudos que utilizaram a finasterida foram observacionais retrospectivos.

DISCUSSÃO

O uso dessa droga, mesmo em baixas doses, pode representar forma eficaz e segura de tratamento do PI em crianças e adolescentes, o que foi verificado em um de nossos pacientes. No entanto, estudos com amostragens maiores e ensaios clínicos randomizados são fundamentais para definir o papel dessa terapia no manejo desses pacientes.

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