INTRODUÇÃO

A Sociedade Internacional de Continência define a incontinência (IU), como qualquer perda involuntária de urina), sendo classificada pela Associação Portuguesa de Urologia (APU) em três categorias: incontinência urinária de esforço, incontinência urinária de urgência e incontinência urinaria mista.

A IU é uma patologia relativamente comum que pode afetar mulheres de todas as idades, podendo variar de gravidade e de natureza. Embora raramente a IU coloque a vida das mulheres em risco, pode influenciar seriamente o seu bem-estar físico, psicológico e social e o impacto que provoca sobre as famílias das mulheres com IU podem ser profundos (NICE, 2006). Em contrapartida, segundo a American College of Obstetricians and Ginecologists (ACOG) a incontinência urinária é considerada uma das principais causas de morbidade acima dos 65 anos (BEREK,J. et al, 1996). A prevalência de incontinência urinária na literatura varia de 15 a 55%14, estando relacionada à piora na qualidade de vida dessas mulheres (CABRERA,M.; FILHO,W.; 2001).

No Brasil o índice de déficit de continência aumenta proporcionalmente com a idade. Em estudo multicêntrico, uma das populações em estudo foi a cidade de São Paulo, em que participaram da pesquisa 2143 indivíduos maiores de 60 anos, em que 11,8% dos homens avaliados eram incontinentes, enquanto 26,2% das mulheres apresentavam perda urinária (TAMANINI, 2009).

A incontinência urinária, por se tratar de um problema que afeta a qualidade de vida das pessoas idosas, necessita de intervenção, que, atualmente, pode ser o uso da acupuntura, fisioterapia, tratamento cirúrgico ou intervenção farmacológica, esta última muitas vezes acompanhada de efeitos colaterais indesejáveis (é o exemplo de drogas anticolinérgicas que podem provocar boca seca, constipação, manchas na visão ou retenção urinária).

O objetivo deste estudo é realizar o tratamento com acupuntura sistêmica para uma idosa institucionalizada com relato de incontinência urinária.

MÉTODOS

Foi realizada uma avaliação clínica da paciente contendo os dados pessoais, anamnese, diagnóstico clínico, sinais e sintomas, perguntas referentes à incontinência urinária (frequência de ida ao banheiro, quantidade de urina por micção, perda ao mudar de decúbito, tossir, espirrar, utilização de fraldas, infecção do trato urinário). A paciente foi submetida a um protocolo de tratamento de dez atendimentos, realizados duas vezes por semana por cinco semanas. Os pontos utilizados foram Estômago 29 (E29), Vaso da Concepção 2 e 4 (VC2 e VC4), Intestino Grosso 4 (IG4) e Estômago 36 (E36). As agulhas utilizadas foram da marca Dux, modelo Spring C, tamanho 0,20x15mm, de forma bilateral. As agulhas eram de uso único, descartáveis e esterilizadas. A duração de cada atendimento foi de 40 minutos.

RESULTADOS

Ao final dos dez atendimentos, a paciente foi submetida a uma reavaliação. Inicialmente a paciente utilizava fraldas higiênicas durante 24 horas por dia. Após o tratamento com acupuntura sistêmica, passou a utilizar as fraldas somente durante o período noturno para dormir e quando precisava sair da instituição para algum compromisso. A mesma relatou ter melhorado muito a incontinência e o seu dia-a-dia, pois se sentia mais “livre” para realizar suas atividades e mais confortável ao longo do dia.

DISCUSSÃO

No Brasil o índice de déficit de continência aumenta proporcionalmente com a idade. Em estudo multicêntrico, uma das populações em estudo foi a cidade de São Paulo, em que participaram da pesquisa 2143 indivíduos maiores de 60 anos, em que 11,8% dos homens avaliados eram incontinentes, enquanto 26,2% das mulheres apresentavam perda urinária (Tamanini, 2009).

Além de levar a um desconforto social e higiênico, o custo gerado tanto em serviço de saúde, quanto em manutenção individual de auto cuidado é extremamente alto. Nos Estados Unidos, estima-se que apenas com absorventes higiênicos sejam gastos 500 milhões de dólares ao ano. No ano de 1995 foram gastos cerca de 26 milhões de dólares apenas para tratar os idosos incontinentes acima de 65 anos (WAGNER, 1998).

REFERÊNCIAS

  1. NICE. 2006. Postnatal Care. Routine postnatal care of women and their babies. London :Royal College of General Practition ares, 2006.
  2. BEREK J.S.;ADASHI E.Y.; HILLARD P.A.; Tratado de Ginecologia. Editora Guanabara/Koogan S.A. 12ª ed. 1996.
  3. CABRERA M. A. S.; FILHO W. J. Obesidade em idosos: Prevalência , distribuição e associação com hábitos e co-morbidades. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia Metabólica, vol. 48 nº 5 Outubro 2001.
  4. TAMANINI, J.T.N.;LEBRÃO, M.L.I;DUARTE, Y.A.O.; SANTOS,J.L.F.; LAURENTI,R. Análise da prevalência e fatores associados à incontinência urinária entre idosos do Município de São Paulo, Brasil: Estudo SABE (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento). Cad. Saúde Pública vol.25 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2009.