INTRODUÇÃO

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, estima-se que 68.220 pacientes foram diagnosticados com câncer de próstata no Brasil em 2018. Esse número expressivo de novos casos pode ser explicado por uma melhora no rastreamento da doença, que é feito pela dosagem sanguínea do antígeno prostático específico (PSA), associado ao exame dígito-prostático. Após a confirmação diagnóstica pela biópsia prostática guiada pelo ultrassom transretal, considera-se como uma das opções terapêuticas curativas a prostatovesiculectomia radical. Essa operação pode ser realizada por meio de várias técnicas de acesso como a via convencional aberta, via perineal e via laparoscópica. Com os avanços tecnológicos crescentes na medicina foi possível, desde o início do século XXI, uma nova alternativa para o tratamento do câncer de próstata: a prostatovesiculectomia radical robô-assistida (PRRA).

OBJETIVO

Comparar a técnica robótica da prostatovesiculectomia radical às outras técnicas.

MATERIAL E MÉTODOS

Foi conduzida revisão de literatura utilizando as bases de dados SciELO, PubMed e Lilacs. A estratégia de busca foi à combinação dos seguintes termos: “robotic”, “minimally invasive surgical procedures”, “radical prostatectomy”, “robot-assisted laparoscopic”. Não houve restrições quanto ao idioma de publicação. Foram considerados elegíveis os estudos originais dos últimos dez anos que compararam a PRRA com a laparoscópica pura (PRL) e/ou aberta (PRA). Por fim, foram selecionadas apenas revisões sistemáticas com meta-análises e analisada criticamente a literatura encontrada.

RESULTADOS

Existem inúmeras vantagens oferecidas na cirurgia robótica em comparação às outras, como uma visualização amplificada e tridimensional da imagem, movimentos delicados escalonados com filtração de tremor e melhorergonomia para o cirurgião. Por se tratar de uma cirurgia minimamente invasiva com pequenas incisões, o tempo de hospitalização e a perda sanguínea são menores e o retorno às atividades diárias é mais rápido. Assim, as complicações per e pós-operatórias são menores na PRRA do que na PRL e PRA. Parece que as taxas de incontinência urinária e disfunção erétil também são menores na PRRA. As margens cirúrgicas positivas foram semelhantes entre os procedimentos. Evidências com ensaios clínicos randomizados com intervalos maiores de acompanhamento são necessárias para se confirmar os resultados.

CONCLUSÃO

A PRRA traz os benefícios da cirurgia minimamente invasiva e parece ser favorável às outras técnicas em relação às complicações per e pós-operatórias, além dos resultados funcionais. Porém, devido aos vários vieses entre os estudos encontrados, esses dados devem ser interpretados com cautela.

Referências
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2015. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2019.
2. Andriole, GL, et al.Prostate Cancer Screening in the Randomized Prostate, Lung, Colorectal, and Ovarian Cancer Screening Trial: Mortality Results after 13 Years of Follow-up. Journal of the National Cancer Institute. 2012; 104(18): 125-132.
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