RESUMO:

O objetivo da pesquisa foi quantificar o conhecimento das estudantes de medicina a respeito do Papiloma Vírus Humano (HPV) e suas decorrências. Trata-se de uma pesquisa realizada em Belo Horizonte, com uma amostra de 200 estudantes, sendo que 100 delas cursavam, no momento da pesquisa, o ciclo básico e as outras 100 cursavam os períodos finais do curso. A coleta das informações ocorreu durante o mês de abril e maio de 2013, pela internet. Quanto a transmissão, 99,9% das estudantes acredita que o HPV é transmitido por meio da relação sexual, e 94% disseram que a camisinha é um método preventivo eficaz contra esse vírus. Grande parte das entrevistadas (199 das 200) sabe que o vírus pode levar a um câncer do colo do útero. Quanto ao tratamento, apenas 51,5% delas afirmaram haver cura para a infecção por HPV. Foi demonstrado que as estudantes não possuem conhecimentos suficientes a respeito da transmissão, prevenção, decorrências e tratamento do HPV, e que não há diferenças estatisticamente relevantes entre os dois grupos analisados.

INTRODUÇÃO:

O Câncer do Colo do Útero é o segundo tipo de câncer que mais acomete as mulheres no Brasil. Em 2010, segundo dados do INCA, 4.986 mulheres morreram por esse tumor no país, o que é um valor alto, já que essa neoplasia maligna dispõe de métodos para prevenção, detecção precoce e tratamento, permitindo a cura em 100% dos casos diagnosticados na fase inicial 1.

A associação entre o Papiloma Vírus Humano (HPV) com a neoplasia cervical foi proposta por Bosch et al2, sendo demonstrada uma taxa de prevalência de 92,2% de DNA do vírus nos fragmentos estudados. Essa forte relação entre o vírus e a neoplasia levaram a criação de programas de rastreamento, prevenção e detecção precoce do câncer cervical. O diagnóstico subclínico das lesões precursoras do câncer do colo do útero, produzidas pelo HPV é feito através do exame citopatológico (exame preventivo de Papanicolau). O diagnóstico é confirmado através de exames laboratoriais de diagnóstico molecular, como o teste de captura híbrida e o PCR.3 O exame citopatológico (Papanicolau) é um método muito útil e difundido mundialmente no rastreamento do câncer do colo uterino4,5, e é considerado como a melhor estratégia de Saúde Pública para detecção de lesões pré- neoplásicas e neoplásicas.5,6

Muñoz et al7, em 2003, classificaram o vírus HPV em alto e baixo risco oncogênico. Os de baixo risco são geralmente encontrados em condilomas vulvo-genitais e os de alto risco são associados ao câncer cervical, sendo esses os subtipos 16, 18, 31, 33, 35, 45, 52 e 58.

A contaminação por HPV se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. Esse contato pode se dar, por exemplo, durante a relação sexual. A transmissão também pode ocorrer durante o parto. Não está comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, de uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.8 Dessa forma, apesar de sempre ser recomendado, o uso de preservativo (camisinha) durante o contato sexual não protege totalmente do risco de infecção pelo HPV, caso o parceiro seja infectado, já que o preservativo não cobre todas as áreas possíveis de infecção. Na presença de infecção na vulva, na região pubiana, perineal e perianal ou no escroto, o HPV poderá ser transmitido apesar do uso do preservativo.

A terapêutica das pacientes identificadas com lesões pré- neoplásicas visa tratar as lesões, já que não há tratamento específico para eliminar o vírus. Podem ser usados laser, eletrocauterização, ácido tricloroacético (ATA) e medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo.9

Apesar de sua importância, o HPV ainda é desconhecido por grande parte da população em geral. Tendo em vista essa situação e a chance de 100% de cura em casos diagnosticados precocemente, entende-se que o conhecimento é imprescindível para a diminuição da mortalidade das mulheres por câncer de colo do útero. Desse modo, o objetivo do presente trabalho foi verificar qual o nível de conhecimento das mulheres estudantes de medicina acerca do HPV e do câncer de colo do útero a partir de quatro aspectos relativos a esse vírus – transmissão, prevenção, tratamento e decorrências.

MÉTODO:

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A população analisada foi a das mulheres estudantes de medicina da UFMG. Foram entrevistadas 200 mulheres com idade entre 17 e 32 anos distribuídas em dois grupos para análise e comparação, Grupo 1 = 100 estudantes dos períodos iniciais do curso (1° ao 4° período), Grupo 2 = 100 estudantes dos períodos finais (7° ao 12° período).

As entrevistas foram realizadas por meio de um questionário que foi aplicado e respondido online, pelo site www.surveymonkey.com, o qual é sigiloso, não guarda informações pessoais sobre as entrevistadas. No questionário não foi realizada nenhuma pergunta que pudesse levar a identificação da entrevistada. Além disso, somente o criador do questionário teve acesso aos resultados da pesquisa, sendo o “SurveyMonkey” um grupo sério e respeitado. (QUESTIONÁRIO 1)

Os dados obtidos foram analisados pelo programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences). O estudo consistiu no cruzamento de dados entre as estudantes de medicina dos períodos iniciais e as dos períodos mais avançados para a análise do conhecimento sobre o HPV segundo os aspectos: transmissão, prevenção, decorrências e tratamento. As análises comparativas entre as estudantes do ciclo básico e dos ciclos mais avançados foram realizadas levando em conta o valor de p ≤ 0,05.

QUESTIONÁRIO 1

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Questionário 1Questionário 1: Aplicado a Estudantes