A próstata é um órgão que com frequência é acometido por doenças que necessitam de abordagem cirúrgica e, por isso, o conhecimento de sua anatomia é de extrema importância.

A glândula pesa de 20 a 30g1 e é envolvida por uma cápsula de colágeno, elastina e músculo liso, que se funde com o folheto visceral da fáscia endopélvicana região anterolateral2. A primeira porção da uretra penetra na região central da base da próstata, atravessando-a1. A próstata é fixada ao púbis pelos ligamentos puboprostáticos1. Alguns autores sugerem que a preservação desses ligamentos pode melhorar a incontinência precoce, mas sem nenhuma evidência definitiva estabelecida3. Superiormente, a base prostática alcança as fibras musculares lisas do colo vesical, não havendo divisão abrupta entre essas estruturas1. Ocorre entrelaçamento semelhante na região inferior, entre o ápice prostático e as fibras estriadas do esfíncter uretral externo2. A superfície posterior da próstata está intimamente relacionada com o reto1. Em posição oblíqua, superiormente à próstata encontram-se as glândulas seminais. O ducto deferente inicialmente situa-se acima da glândula seminal, depois desce medialmente ao ureter e à glândula. A união dessas glândulas com os ductos deferentes forma os ductos ejaculatórios4.

A próstata encontra-se ancorada lateralmente pela porção pubococcígea do músculo elevador do ânus, que tem íntima relação com a fáscia endopélvica2. Acredita-se que com a preservação dessa fáscia seja possível reduzir as taxas de incontinência urinária e disfunção erétil5.

A irrigação é feita por ramos da artéria vesical inferior, pudenda interna e artéria retal média1. A artéria vesical inferior origina a artéria prostática que divide-se em artérias uretrais e artérias capsulares1,2,5. As veias envolvem a próstata em um plexo na porção anterolateral2. A principal tributária é a veia dorsal do pênis, que também recebe as veias vesicais e ramos prostáticos, que se conectam com o plexo vesical e a veia pudenda interna, e drenam para a veia vesical e a veia ilíaca interna1,2.A drenagem linfática se dá principalmente para as cadeias obturatórias, ilíacas internas e ilíacas externas e, num menor grau, para os linfonodos pré-sacrais1,2. A linfadenectomia mais preconizada atualmente tem como limites laterais os nervos genitofemorais, com limites superiores a bifurcação da artéria ilíaca comum, como limite distal o anel inguinal interno e como limite medial a bexiga5.

A inervação parassimpática do pênis é responsável pela ereção e origina-se do plexo sacral (S2-S4). Essas fibras fundem-se aos ramos dos nervos hipogástricos inferiores, trazendo condução simpática, formando em conjunto o plexo pélvico1,5. Parte desse plexo, junto com artérias e veias que se dispõem paralelas e intimamente relacionadas à próstata, formam os feixes vasculonervosos. Esses são mais abundantes nas porções posterolaterais da próstata5.A lesão desse feixe pode levar à disfunção sexual erétil, e sempre que possível ele deve ser preservado1.

Referências
1. Sampaio FBJ, Favorito LA. Anatomia aplicada no trato urinário. Nardi, AC, et al. Urologia Brasil. São Paulo: Editora Planmark; 2013.p. 34-61
2. Junior CHF, Porfírio VT, Andrade TF. Anatomia cirúrgica aplicada. Amaro JL, Tomé ALF. Proteus: palestras e reuniões organização para preparação ao título de especialista em urologia SBU. 1a ed. São Paulo: EditoraPlanmark; 2017. p. 159-164
3. Poore, RE, McCullough DL, Jarow JP. Puboprostatic ligament sparing improves urinary continence after radical retropubic prostatectomy. Urology51.1 (1998):67-72.
4. Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia orientada para a clínica. 6a ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2006. p. 373-378
5. Walz, J, et al. A critical analysis of the current knowledge of surgical anatomy related to optimization of cancer control and preservation of continence and erection in candidates for radical prostatectomy. Europeanurology 57.2 (2010):179-192.